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Os traumas do divórcio na vida das crianças.

O divórcio de um casal é sempre um fato muito duro e difícil de ser emocionalmente digerido, tanto pelo casal, como pelos amigos ou até mesmo pela família de ambos os lados. Mas existe ainda uma figura que pode ser a mais atingida com o afastamento dos pais: os filhos.

 

Cada criança reage de maneira única à separação entre seus responsáveis, no entanto, é possível perceber um comportamento padrão dependendo da faixa-etária em que a criança se encontra. Timidez, rejeição, sentimento de culpa e tristeza são alguns dos sentimentos que podem acabar aflorando nos pequenos durante todo processo de divórcio.

 

É de responsabilidade dos pais saber conduzir todo o estresse que o processo pode causar, sendo necessária uma condução sutil para que a nova realidade da família possa ser definida.

 

O divórcio na maioria das vezes é um processo doloroso e turbulento. É extremamente importante que os pais encontrem maneiras de não repassar toda essa carga aos filhos. Relacionamentos chegam ao fim, nossos filhos são para sempre.

 

Quais são os possíveis sintomas sentimentais de cada criança, as separando por faixa-etária?

 

• Divórcio na gravidez: se a separação ocorre durante a gravidez ou durante os primeiros meses de vida, é provável que a criança se veja afetada pelo estado de ânimo da mãe, e portanto possa nascer com pouco peso ou com atraso no desenvolvimento cognitivo e emotivo.

 

• Divórcio com filhos entre 1 e 3 anos: na época da separação, é provável, que a criança torne-se muito tímida, comporte-se como uma criança menor que sua idade afetiva, requeira muito mais atenção e tenha pesadelos noturnos.

 

• Divórcio com filhos entre 2 e 6 anos: a criança não entende ainda o que é um divórcio, mas ao notar que um dos membros do casal não dorme em casa, é provável que pense que é por sua culpa, e reaja de formas opostas: ou fique muito obediente (pensando se for bom, o papai voltará), ou também muito mais agressivo ou rebelde, como era de se esperar quanto ao seu caráter. Nesta idade, alguns dos pequenos negam a separação tanto a si mesmos quanto aos demais (mentem aos parentes ou amigos, dizendo que seus pais ainda dormem juntos à noite, e continuam brincando de bonecas durante meses, simulando sua própria família e fazendo que seus pais durmam um ao lado do outro).

 

• Divórcio com filhos até 6 anos: as crianças sofrem um grande temor de serem abandonadas, junto com uma profunda sensação de perda e de tristeza. Podem sofrer transtornos do sono, de alimentação, e adotar condutas regressivas.

 

• Divórcio com filhos entre 6 e 9 anos: aparecem sentimentos de rejeição, fantasias de reconciliação e os problemas de atitude. É possível que as crianças experimentem raiva, tristeza e nostalgia pelo pai que se foi. Nos casos em que os cônjuges tenham tido conflitos graves, alguns filhos podem viver uma luta entre seus afetos pelos pais e pela mãe. Outras vezes, se descuidam no aspecto material, obrigando-os a prepararem a comida, a vigiar os irmãos menores e assumam responsabilidades muito pesadas para sua idade.

 

• Divórcio com filhos entre 9 e 12 anos: os filhos podem manifestar sentimentos de vergonha pelo comportamento dos seus pais, e cólera ou raiva pelo que tomou a decisão de se separar. Além disso, aparecem as tentativas de reconciliar os pais, o descontrole dos hábitos adquiridos e problemas somáticos (dores de cabeça, estômago, etc.).

 

• Divórcio com filhos adolescentes: dos 13 aos 18 anos, a separação dos pais causará problemas éticos, e provocará, portanto, fortes conflitos entre a necessidade de amar o pai e a mãe e a desaprovação de sua conduta. Geralmente as reações mais comuns nesta etapa envolvem o amadurecimento acelerado, ou seja, o adolescente adota o pai progenitor ausente, aceitando suas responsabilidades ou poderá adotar uma conduta antissocial (não acata nem aceita normas, desobediência, condutas de roubo, consumo de álcool, drogas, etc.);

 

É importante destacar que a diversidade de experiências que vivem as crianças depois da separação dos pais, é, de qualquer modo, um sinal positivo, porque prova que o divórcio não é a única coisa que as prejudica, e que, muitas delas, superam a crise familiar, saindo delas mais fortes e mais maduros que seus conterrâneos que pertencem a famílias unidas.

 

 

Um abraço para todos.

Ana Brocanelo – Advogada.

OAB/SP:176.438

Fonte: Agência de Notícias ContilNet. "Especialista explica os traumas do divórcio na vida das crianças." Por Thalis Guttierres. Texto editado. CC BY 4.0 BR.

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